Valfenda
Visitei esse blog ontem e, uau, já faz mesmo muito tempo. Mais de dois anos que não sinto vontade de escrever nada aqui. Na verdade não é falta de vontade, é preguiça mesmo. Como sempre temos que culpar algo que não nós mesmos, eu culpo o Twitter! Ele deixou mais fácil ser preguiçoso. Mas escrever em 140 caracteres não é nada como escrever no sentido tradicional da palavra. E escrever faz bem, intelectualmente e psicologicamente. Esse post marca então uma tentativa de voltar à escrever, da forma que a Escrita merece.
Nesses dois anos é óbvio que muita aconteceu (embora seja óbvio apenas se forem contadas as mundanices, nada garante que em dois anos vai acontecer mais do que acordar -trabalhar – dormir). Um dos acontecimentos mais notáveis nesse período foi a mudança para a Suíça. Eu e a Laurentina inicialmente ficamos em Wil, no cantão de São Galo, mas depois mudamos para a capital do mesmo cantão. É uma cidade pequena para os padrões brasileiros, com menos de 100 mil habitantes, mas estamos a apenas 40 minutos de trem de Zurique ou uma hora da Alemanha. A cidade e seus arredores são extraordinariamente bonitos, e vários prédios de sua Altstadt (“cidade velha”, núcleo de várias cidades suíças e alemãs formado por prédios, praças, fontes, torres e muros medievais) foram tombados como patrimônio histórico pela UNESCO, incluindo a impressionante catedral.
Há muito o que falar sobre a nossa mudança para cá, mas para limitar o escopo desse texto de forma que a preguiça não me deixe não terminá-lo, vou contar sobre mais uma mundanice da vida. Desde pequeno eu sou um ávido leitor, de forma que a pergunta “o que você está lendo agora?” sempre teve uma resposta. E temas recorrentes nessas leituras, que me atraem, são a ficção histórica e a fantasia medieval. As estórias contadas nesses livros geralmente passam-se na Europa ou locais baseados na Europa, onde lê-se sobre florestas, nevoeiros, colinas, ravinas, vales, neve, estações, montanhas. Bem, meu estado natal é o Ceará, um estado basicamente plano onde não há estações climáticas (embora no final do ano fique ainda mais quente). Quando mudei para São Paulo, tive mais contato com differentes tipos de terreno, vegetação e clima. Quando visitei a Serra Gaúcha senti frio de verdade. Mas só quando cheguei aqui pude finalmente compreender tudo o que foi lido durante esses anos todos e ficava no reino da imaginação, como se os livros estivessem descrevendo Marte.
Quando pego o trem diariamente para ir para o trabalho em Wil, passo por uma ponte sobre uma ravina profunda. Lá embaixo, a dezenas de metros, há algumas construções e um moinho espremidos entre um riacho e uma parede de pedra. Eu chamo o lugar de Valfenda.
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4. December 2011 at 14:05
Se o Stephen passar aqui ele vai criticar a parte da “impressionante catedral”. Desde que é uma catedral, ela não pode ser impressionante.
Não sabia desse seu blog, vou adicionar aos feeds. Essa coisa de Facebook e twitter deixa a gente preguiçoso em escrever blogs, né?
Abraço!