Pequena, mas funcional
Quando morei em São Paulo conheci muita gente que trabalhava lá mas que morava em outra cidade. A grande maioria morava em Campinas, mas também tive colegas de trabalho que moravam em Osasco e Jundiaí. Para os que moravam em Osasco, a rotina geralmente consistia em acordar por volta de 5 da manhã e pegar um dos ônibus de empresas particulares, conhecidos como fretados, para chegar em São Paulo 2 horas depois. Uma vez cheguei a ir a uma entrevista de emprego em Campinas, para o Instituto Eldorado, mas o prospecto de gastar 4 horas por dia dentro de um ônibus não me animou muito. Felizmente não faltaram empregos dentro de São Paulo.
Dentro de São Paulo, ir para o trabalho geralmente consistia de uma combinação de ônibus e trem. E eu tinha muita sorte de morar perto da Avenida Rebouças, onde praticamente todos os ônibus que passavam me deixavam na estação de trem Hebraica-Rebouças. Todo o trajeto somava entre 40 e 45 minutos, e a vida era boa. Mas só porque era permitido chegar ao trabalho às 10 horas da manhã e sair às 19 horas, evitando assim ônibus e trems cheios. Mas ainda assim em alguns dias, como dias de chuvas pesadas, os trems passavam à noite com intervalos maiores e superlotados. Por várias vezes optei em fazer a volta para casa à pé nessas situações, chegando em casa uma hora e vinte minutos depois, totalmente molhado. Mas ainda assim eu estava contente, pois morava em Pinheiros, e não na periferia da cidade, o que dobraria o tempo gasto todo dia no trânsito.
Quando mudei para cá acabei finalmente morando em uma cidade e trabalhando em outra. Mas isso é bastante comum aqui, ninguém que trabalha aqui mora em Wil. Ainda assim levo menos tempo do que em São Paulo. Na verdade, hoje sou capaz de dizer como chego ao trabalho, com uma precisão de 1 minuto:
- 08:38 – Saio de casa
- 08:40 – Embarco no ônibus
- 08:46 – Chego à estação de trem principal de St. Gallen
- 08:48 – Meu trem parte de St. Gallen
- 09:09 – O trem pára em Wil
- 09:13 – Chego à pé ao escritório
Apesar de eu às vezes achar que “falta” muito do que havia em São Paulo aqui, uma coisa que definitivamente não faz falta é o tamanho enorme da cidade e o trânsito que o acompanha. A Suíça às vezes irrita por suas cidades serem tão pequenas, mas a forma como tudo funciona tão bem faz valer a pena.
